Portais de globalização: portos e caminhos de ferro no contexto colonial português (c.1870– c.1910)
- Autoria
- Ano
- 2018
- Periódico
Revista Portuguesa de História, Vol. XLIX
- Nº de Páginas
- 227-239

Resumo
A partir de 1870, Portugal transferiu da metrópole para o ultramar um ambicioso programa de obras públicas influenciado pelas promessas saint-simonistas de progresso e criação de civilizações de circulação, com as quais os engenheiros portugueses haviam contactado desde a década de 1820. Até às vésperas da I Guerra Mundial, milhares de quilómetros de linhas foram assentes através daqueles territórios, ligando-os a portos vizinhos. O objetivo dos tecnocratas nacionais passava por fomentar a exploração colonial e aumentar o seu comércio externo, mas ao mesmo tempo, induzir um nacionalismo baseado na tecnologia e cimentar a soberania nacional nos seus domínios ultramarinos, cobiçados, na altura, por outras nações
europeias mais poderosas. Neste artigo, proponho analisar esta retórica contraditória e estas infraestruturas coloniais como portais de globalização, entendidos como “aqueles lugares que têm sido centros de trocas mundiais ou comunicações globais, têm servido como pontos de entrada para transferências culturais e onde se desenvolveram instituições e práticas para lidar com as ligações globais”. Focar-me- -ei em três momentos decisivos deste processo histórico (o processo de tomada de decisão, a construção e a operação) para analisar até que ponto a globalização (do comércio, know-how e ideias) foi fomentada ou restringida.