Visões de Lisboa. Ciência, tecnologia e medicina (CTM) e a construção de uma capital tecno-científica (1870-1940)

2016-2018


Fialho de Almeida - "A grande ponte para caminhos de ferro e peões, entre as duas Lisboas do futuro"
in Ilustração Portuguesa, (39) 1906, p. 499

Membros do projecto

Investigador Responsável: Ana Simões

Investigadores do CIUCHT: Ana Carneiro, Ana Duarte Rodrigues, Antonio Sánchez Martínez, Carlos GodinhoCatarina Madruga, Cláudia Castelo, Ignacio Suay-Matallana, Inês Gomes, Isabel Amaral, Isabel Zilhão, Jaume Sastre, Jaume Valentines-Álvarez, Jorge Nuno Silva, José Carlos Avelãs NunesMaria Paula Diogo, Marta Macedo, Teresa Salomé Mota.

Outros Investigadores: Lídia Fernandes, Maria Fernanda Frazão, Tiago Saraiva.

Consultores: Agusti Nieto-Galan (Universitat Autonoma de Barcelona, Mitchell Ash (University of Vienna), Thomas Misa (University of Minnesota)

Período

2016-2018

Financiamento

Fundação para a Ciência e a Tecnologia (PTDC/IVC-HFC/3122/2014)

Sinopse

Pretende-se com este projecto contribuir para a área de ponta da história urbana da ciência, tecnologia e medicina (doravante CTM), trazendo-lhe a perspectiva inovadora fornecida pelo estudo pormenorizado da cidade de Lisboa.

A sua preponderância, nomeadamente nas linhas de investigação que o CIUCHT tem vindo a desenvolver, ganha ênfase no seio da sua equipa de investigadores e dos seus grupos de especialização. O carácter multidisciplinar da investigação – que pretende construir uma intricada teia de contributos – reflecte a formação multifacetada dos seus elementos. A partir desta plataforma, pretende-se  articular os estudos urbanos de CTM com a abordagem desenvolvida no contexto desta rede sobre a apropriação e a circulação do conhecimento e de especialistas em CTM, na perspectiva da periferia europeia.

No panorama internacional, este projeto contribuirá para o enriquecimento da problemática subjacente ao trabalho do grupo internacional Science and Technology in the European Periphery (STEP), introduzindo-lhe a dimensão espacial da cidade, ao mesmo tempo que cruza a história urbana com a perspectiva da CTM. No contexto nacional, será a primeira vez que a história urbana será consistentemente estudada de uma perspectiva da CTM.

VISLIS debruçar-se-á sobre os contornos da co-construção da CTM e Lisboa, sublinhando as especificidades do seu carácter dual enquanto cidade periférica e imperial. Especificamente, pretende-se uma narrativa histórica que articulará as percepções da CTM e as visões de e para Lisboa, e a transformação efetiva do tecido urbano.

Como arco cronológico, definiram-se duas referências: 1870, quando Lisboa se expande ao longo do Tejo e se afasta dele para norte, num processo de modernização que contrasta com as visões pessimistas partilhadas pela elite, e 1940, quando as celebrações do império se concretizam numa exposição grandiosa organizada em Lisboa, que alterou permanentemente as suas margens. Estas duas balizas cronológicas permitem uma abrangência cirurgicamente definida, mas suficientemente ampla para abarcar significativas alterações sociais, económicas, políticas e científicas em Lisboa e na Europa.

As mudanças ocorridas na paisagem lisboeta estão intimamente associadas à emergência e ascendência social e política de grupos profissionais especializados – engenheiros, arquitetos, médicos e cientistas – que, durante o período considerado, afirmaram a sua jurisdição intelectual e prática. Todos construíram discursos, escritos e visuais, nomeadamente planos arquitectónicos e de engenharia, mapas, desenhos e fotografias, tantas vezes próximos da utopia. Enquanto muitos destes planos e visões nunca se concretizaram, outros traduziram-se na construção de estruturas físicas.

Todos representam paisagens urbanas, no sentido de integrarem agendas amplas de alcance social, político, económico e cultural. Os especialistas em CTM, trabalhando a partir de e sobre Lisboa, tentaram equacionar a dinâmica urbana local e os recursos disponíveis, por vezes apropriando modelos de outras capitais, especialmente de Paris.

As múltiplas visões de Lisboa ligaram, frequentemente, a sua modernização com os interesses de especialistas em CTM, que ambicionavam transformá-la numa capital tecno-científica.

Tendo em conta a lógica acima referida, o VISLIS está organizado segundo quatro eixos que se intersectam:

  1. Instituições e espaços de CTM, e a integração das práticas de CTM nas infraestruturas sociais e materiais;
  2. Especialistas em CTM e a sua luta por hegemonia, incluindo a relação entre as políticas de especialização em CTM e as urbanas;
  3. O papel da CTM no discurso escrito e nas representações culturais e visuais da cidade, incluindo as utópicas;
  4. CTM e a cidade lúdica, nomeadamente, estruturas destinadas ao recreio e ao divertimento.

Os resultados do projeto VISLIS contribuirão para o enriquecimento da historiografia internacional em CTM; elaboração de uma história de Lisboa na perspectiva da CTM; ligação entre a história urbana de Lisboa e a história num sentido amplo; finalmente, uso da história da CTM para promover a cidadania e a cultura científica do presente, ao fomentar o turismo em Lisboa na perspectiva da CTM.

A exteriorização do projecto dar-se-á, entre outras actividades, em estratégias de produção científica concertada (internacional e nacional), na participação em fóruns especializados, na produção de bases de dados textuais e iconográficas e através do estabelecimento de ligações entre autores e instituições internacionais. Por outro lado, foi dada importância à apresentação de resultados por exposições públicas várias, roteiros turísticos científicos e a utilização de plataformas virtuais e on-line para a divulgação expedita e abrangente do projecto.

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