Entre três tábuas do caixão — uma brisa de cura. A arquitectura para a tuberculose em Portugal (1870-1950)

Lisboa, 16 de Março, 18h
Na FCUL, Edifício C8, Sala 8.2.02.
Comunicação proferida no âmbito do ciclo de Conferências HoST.

Limpeza e desinfecção — observações microscópicas. Sanatório Sousa Martins, Guarda, Portugal, c. 1915. Colecção privada

Sinopse

Entre o final do século XIX e durante quase todo o século XX, a tuberculose deambulou entre o foco e o microscópio da sociedade, enquanto a mais letal e preocupante doença contagiosa, assumindo um lugar protagonista no palco do Portugal sanitário, político, médico e arquitectónico.

A arquitectura sanatorial constituiu um instrumento único e capaz de lutar contra a peste branca, no sentido da profilaxia e do tratamento, avocando funções de um contentor muito próprio e replicando a cidade – entretanto rasgada e higienizada – e na qual ainda se identificam as suas cicatrizes. Enquanto espaços de ciência, neles a arquitectura e a medicina assumiram uma estreita simbiose com dependências mútuas, mas profícuas relações causais.

Através das suas obras, dos seus esquemas organizativos e da sua preponderância tipológica, propõe-se a análise das vicissitudes do combate entre os diversos intervenientes (médicos, arquitectos e esferas de poder) por um prisma pluridisciplinar, da boca de cena até aos seus bastidores.

Sobre o orador

José Carlos Avelãs Nunes (n. 1984) é arquitecto, doutorando em Teoria e História da Arquitectura na FCTUC, bolseiro de investigação VISLIS-CIUHCT e investigador n.d. no CEIS20-UC.