20º Aniversário de Princesa Mononoke — A urgência de pensar os enredamentos entre tecno-ciência, natureza, género e sociedade

Com Susan Napier e Kotani Mari
Lisboa, 7 novembro 2017, 13h30-19h, Museu do Oriente
Exibição do filme e debate. Entrada livre
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Programa
 

13:30 — Recepção

14:00 — Visionamento do Filme

16:30 — Palestras por Susan Napier e Kotani Mari

17h45 — Mesa-Redonda

Sobre

Por ocasião do 20º aniversário da Princesa Mononoke, o Centro Interuniversitário de História da Ciência e Tecnologia (CIUHCT), com o apoio do Museu do Oriente e da Fundação Oriente, organiza um evento público para celebrar este trabalho fundamental da animação japonesa do século XX e promover uma reflexão crítica sobre temas de tecnociência, natureza, gênero e sociedade. Princesa Mononoke (Mononoke-hime, 1997) é um filme de animação escrito e realizado pelo aclamado realizador japonês Hayao Miyazaki, e produzido pelos Estúdios Ghibli. Trata-se de um sucesso crítico e comercial que, ao longo dos anos, tem vindo a ser alvo de várias análises e reflexões críticas, suscitadas tanto pela sua beleza estética como pela complexidade do seu argumento.

Lançado pelo Estúdio Ghibli em 1997, Princesa Mononoke ("Mononoke hime") é um filme de animação japonês escrito e realizado pelo aclamado realizador Hayao Miyazaki. Um dos maiores êxitos de bilheteria de sempre no Japão, o filme continua a receber atenção internacional devido à sua beleza estética e temas complexos, tendo sido focado de múltiplas obras académicas e análises por fãs. 

Do ponto de vista japonês, Princesa Mononoke critica a construção da identidade japonesa moderna e os seus mitos culturais, expondo e negociando as suas implicações sociais e ambientais. No entanto, é uma obra cujos temas se estendem além das fronteiras nacionais, ressoando numa escala global por refletir, como afirma Susan Napier, “a extraordinária variedade de pluralidades que sugerem o mundo cada vez mais complexo do século XXI”.

Em Princesa Mononoke, as relações entre natureza, cultura e tecnologia, papéis e expectativas de gênero, tensões do multiculturalismo e apocalipse ambiental são entrelaçados num filme que não oferece respostas ou resoluções fáceis. É um trabalho rico e desafiante, permanentemente aberto a novas interpretações, mas que em última análise parece sugerir que coabitar o tecido social e da Terra exige uma aceitação real da diferença, humana e não humana.

Adicionalmente, vinte anos depois da sua estreia, Princesa Mononoke assume uma nova relevância face aos problemas que afligem a nossa situação atual. Por exemplo, as crises migratórias, resultado híbrido de conflitos geopolíticos e degradação ambiental, têm sido instrumentalizadas por ressurgentes ideologias nacionalistas e isolacionistas, resultando numa crescente marginalização do Outro. Por outro lado, o conceito de Antropocénico—a nova era da Terra em que a humanidade exerce um impacto sem precedentes na transformação arriscada dos ecossistemas terrestres, que sustentam uma pluralidade de vida e sociedades—deu origem no século XXI a um debate interdisciplinar generalizado sobre novas (e não tão novas) condições humanas e não humanas, bem como a necessidade urgente de perseguirmos futuros habitáveis. Acreditamos que Princesa Mononoke, com a sua visão idiossincrática e matizada que é ainda assim cativante para públicos amplos e variados, oferece um importante contributo para o debate do Antropocénico. Como tal, aproveitamos este 20º aniversário para convidar todos os interessados a refletir sobre estes temas altamente contemporâneos, num evento aberto à comunidade e dirigido quer a académicos, como público em geral.

O evento “20º Aniversário da Princesa Mononoke” consistirá, assim, numa exibição pública do filme, seguido de duas palestras pelas nossas oradoras principais: Susan Napier e Kotani Mari, duas críticas de referência da área dos Estudos de Anime e Manga, que se deslocam dos Estados Unidos e Japão especialmente para esta ocasião (consultar as biografias abaixo para mais informações). As palestras serão seguidas por uma mesa redonda com as oradoras principais, um grupo interdisciplinar de académicos convidados das áreas da História da Ciência e Tecnologia, Ecocriticismo, Estudos Japoneses, Arte e Estudos de Gênero, e o público.

Convidadas especiais

Susan Napier, Universidade de Tufts, EUA


Susan J. Napier é professora do programa japonês na Universidade Tufts. É uma celebrada estudiosa de literatura japonesa e crítica de cultura popular japonesa, escrevendo extensivamente sobre a obra de Hayao Miyazaki e outros trabalhos importantes da banda desenhada, animação e comunidades de fãs japonesas. Entre outros trabalhos, é autora de Anime from Akira to Howl’s Moving Castle: Experiencing Japanese Animation (publicado em 2001 e revisto em 2005), um livro seminal no campo dos Estudos de Anime e Manga onde discute uma larga variedade de temas e obras, desde animação pornográfica até robôs mecha e magical girls.

Sumário da Palestra

The Faces of Others: Ecology, Ethics, and Boundary Crossing in Princess Mononoke

This paper explores the multilayered and fascinating nuances of interspecies relationships in Miyazaki Hayao’s animated masterpiece Princess Mononoke. When it appeared in 1997 Princess Mononoke immediately became one of the  most successful films ever shown in Japan and is now revered around the world for its beauty, moral complexity, thrilling narrative and unforgettable characters. With its environmental and spiritual concerns and its highlighting of the interaction between humans, nature and other species,  the film speaks even more powerfully in the 21st century. This paper will analyze how Miyazaki uses the magic of animation to create an immersive world in which human interaction with the Other becomes a means to open up a dialogue on how to live ethically in a problematic world in which technology increasingly threatens to divide humans from the non-human others who inhabit the earth.  

Kotani Mari, Meiji University, Japão


Kotani Mari é crítica de ficção científica e palestrante convidada na Escola de Informação e Comunicação da Universidade Meiji. Os seus trabalhos sobre anime e manga oferecem uma perspetiva feminista sobre a cultura popular japonesa. O seu primeiro livro, Techno-Gynesis: The Political Unconscious of Feminist Science Fiction (1994) ganhou o 15º Prémio de Ficção Científica do Japão, e o Evangelion as the Immaculate Virgin (1997) vendeu mais de 80 000 cópias. Entre trabalhos mais recentes, conta-se Techno-Gothic (2005). É fundadora da Associação Japonesa de Ficção Científica Feminista e Fantasia, e a primeira cosplayer documentada no Japão.

Sumário da Palestra

Miyazaki Hayao’s "Princess Mononoke", directed in 1997 has caused complicated reactions in audiences. The screen image was magnificent, but the story was dark, all characters were shackled by each others’ desire for survival. Of course, there were many interesting aspects, but for now I would like to point out the following topics.

First, Ashitaka’s masculinity. Ashitaka’s discoloration in the right hand is a symbol of the techno-power of man. That is why it was marked by the Tatari-gami. After meeting two strong women, San and Eboshi, he died and revived, and through a coming back process, his masculinity was reconstructed as is the case with masculinity in our post-feminist age. He §didn’t choose an ordinary heterosexual happy ending.

Second, the incredibly beautiful imagery of this Anime. Especially, its natural landscape with fantastic beasts is extremely gorgeous. There was an idea of purification, as the spiritual existence takes away Ashitaka’s discoloration. That phenomenon was magical, a kind of purification, and it was connected to female preternatural power which was uncommon in ordinary Shinto-style.

Mesa-redonda 

Para além de Susan Napier e Kotani Mari, a mesa-redonda contará com a participação de:

  • Ana Matilde Sousa, investigadora em arte e cultura popular japonesa e artista visual, CIEBA-FBAUL
  • Ivo Louro, engenheiro do ambiente e investigador, CIUHCT / FCT-NOVA
  • Maria Paula Diogo, professora catedrática e historiadora da tecnologia, CIUHCT / FCT-NOVA
  • Joana Tomé, investigadora de estudos feministas, artista e activista, CIEBA-FBAUL
  • Davide Scarso, filósofo da ciência e tecnologia, CIUHCT / FCT-NOVA

Contactos

Ivo Louro: ivomlouro@fct.unl.pt

Organização

  • CIUHCT
  • Anthropocene Laboratory
  • Anthropolands

Apoios Financeiros

  • FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia
  • Fundação Oriente
  • Museu Oriente

Apoios Institucionais

  • Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
  • Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa